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terça-feira, 22 de novembro de 2011

BELO MONTE, NOSSO DINHEIRO E O BIGODE DE SARNEY


Belo Monte, nosso dinheiro e o bigode do Sarney

Um dos mais respeitados especialistas na área energética do país, o professor da USP Célio Bermann, fala sobre a “caixa preta” do setor, controlado por José Sarney, e o jogo pesado e lucrativo que domina a maior obra do PAC. Conta também sua experiência como assessor de Dilma Rousseff no Ministério de Minas e Energia


ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e
documentarista. Ganhou mais
de 40 prêmios nacionais e
internacionais de reportagem.
É autora de um romance -
Uma Duas (LeYa) - e de três
livros de reportagem: Coluna
Prestes – O Avesso da Lenda
(Artes e Ofícios), A Vida Que
Ninguém Vê (Arquipélago
Editorial, Prêmio Jabuti 2007)
e O Olho da Rua (Globo).
E codiretora de dois
documentários: Uma História
Severina e Gretchen Filme
Estrada.
elianebrum@uol.com.br
@brumelianebrum

Se você é aquele tipo de leitor que acha que Belo Monte vai “afetar apenas um punhado de índios”, esta entrevista é para você. Talvez você descubra que a megaobra vai afetar diretamente o seu bolso. Se você é aquele tipo de leitor que acredita que os acontecimentos na Amazônia não lhe dizem respeito, esta entrevista é para você. Para que possa entender que o que acontece lá, repercute aqui – e vice-versa. Se você é aquele tipo de leitor que defende a construção do maior número de usinas hidrelétricas já porque acredita piamente que, se isso não acontecer, vai ficar sem luz em casa para assistir à novela das oito, esta entrevista é para você. Com alguma sorte, você pode perceber que o buraco é mais embaixo e que você tem consumido propaganda subliminar, além de bens de consumo. Se você é aquele tipo de leitor que compreende os impactos socioambientais de uma obra desse porte, mas gostaria de entender melhor o que está em jogo de fato e quais são as alternativas, esta entrevista também é para você.
Como tenho escrito com frequência sobre a megausina hidrelétrica de Belo Monte, por considerar que é uma das questões mais relevantes do país no momento, observo com atenção as manifestações dos leitores que comentam neste espaço ou em redes sociais como o Twitter. Anotei as principais dúvidas para incluí-las aqui e assim colaborar com o debate.
Desta vez, propus uma conversa sobre Belo Monte a Célio Bermann, um dos mais respeitados especialistas do país na área energética. Bermann é professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), com doutorado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela Unicamp. Publicou vários livros, entre eles: “Energia no Brasil: Para quê? Para quem? – Crise e Alternativas para um País Sustentável” (Livraria da Física) e “As Novas Energias no Brasil: Dilemas da Inclusão Social e Programas de Governo” (Fase). Ex-petista, ele participou dos debates da área energética e ambiental para a elaboração do programa de Lula na campanha de 2002 e foi assessor de Dilma Rousseff entre 2003 e 2004, no Ministério de Minas e Energia. Célio Bermann foi também um dos 40 cientistas a se debruçar sobre Belo Monte para construir um painel que, infelizmente, foi ignorado pelo governo federal.
Vale a pena ouvir o professor a qualquer tempo. Mas, especialmente, depois de uma semana dramática como a passada. Na quarta-feira (26/10), o julgamento da ação movida pelo Ministério Público Federal reivindicando que os índios sejam ouvidos sobre a obra, como determina a Constituição, foi interrompida e adiada mais uma vez no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. Na mesma quarta-feira, chamado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) para explicar por que não suspendeu as obras de Belo Monte, o Brasil não compareceu, desrespeitando o organismo internacional e exibindo um comportamento mais usual em ditaduras. Em reportagem publicada em 20/10, o Estadão denunciou que, como retaliação por ter sido advertido sobre Belo Monte, o Brasil deixou de pagar sua cota anual como estado-membro.
Na quinta-feira (27/10), centenas de pessoas, entre indígenas, ribeirinhos e moradores das cidades atingidas, ocuparam pacificamente o canteiro de obras de Belo Monte, no rio Xingu, pedindo a paralisação da construção da usina. Foram expulsos por ordem judicial. Enquanto o canteiro de obras era ocupado por uma população invisível para o governo de Dilma Rousseff, o cineasta Daniel Tendler apresentava no Seminário Nacional de Grandes Barragens, no Rio de Janeiro, o projeto de uma megaprodução cinematográfica que se propõe a documentar as obras de Belo Monte por cinco anos. O projeto é comandado pela LC Barreto, a produtora da poderosa família Barreto, a mesma que fez “Lula, O Filho do Brasil”. Tendler, aliás, foi um dos roteiristas do filme sobre a vida do ex-presidente. Entre as repercussões da megaprodução cinematográfica sobre a megaobra do PAC no Twitter, destacou-se uma: “Os Barreto estão para o cinema nacional como os Sarney para a política”.
Ainda na semana passada, o governo federal publicou um pacote de sete portarias ministeriais com o objetivo de “destravar a concessão de licenças ambientais no país para acelerar grandes empreendimentos, como rodovias, portos, exploração de petróleo e gás, hidrelétricas e até linhas de transmissão de energia”. Ou seja: o governo caminha para anular as conquistas socioambientais obtidas na redemocratização do país.
Dias antes, em 26/10, o Senado havia aprovado um projeto de lei que retira o poder do Ibama para multar crimes ambientais, como desmatamentos. Se não for vetado pela presidente, o poder de multar passará para estados e municípios, sujeito às pressões locais já bem conhecidas. A aprovação do projeto aconteceu quatro dias depois de mais um assassinato no Pará: João Chupel Primo, mais conhecido como João da Gaita, foi morto com um tiro na cabeça, depois de denunciar ao Ministério Público Federal, em Altamira, uma rota de desmatamento ilegal na reserva extrativista Riozinho do Anfrísio e na Floresta Nacional Trairão, área do entorno de Belo Monte. Como de hábito, o Congresso decide os rumos do país desconectado com o que acontece na vida real para além do aquário brasiliense.
No momento histórico em que recursos como água e biodiversidade se consolidam como o grande capital de uma nação, o Brasil, um dos países mais beneficiados pela natureza no planeta, corre em marcha à ré. O cenário que você acabou de ler tem no centro – como obra simbólica e estratégica – Belo Monte, a maior obra do PAC. A seguir, parte de minha conversa de quase três horas com o professor Célio Bermann, em sua sala no Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.


- Por que o senhor, assim como outras pessoas que estudam o setor, afirma que a área energética do país é uma “caixa preta”. Afinal, que caixa preta é essa?

Célio Bermann – A política energética do nosso país é uma caixa preta e é mantida dessa forma por uma série de razões. Primeiro, porque a baixa escolaridade da população brasileira não permite, por exemplo, que o leitor da Época entenda o que é terawatts-hora. Mas seria interessante que a população toda tivesse conhecimento e pudesse, com informação, começar a definir junto com empresas e governo os rumos que são mais adequados. Acho que a academia tem um papel fundamental nesse processo. Eu, particularmente, tento, na área do meu conhecimento, procurar as populações tradicionais, mostrar o que é uma usina hidrelétrica, por que alaga quando você interrompe o fluxo, o que é uma barragem, e como isso vai acabar transformando a vida da comunidade. Acho importante que a academia preste esse tipo de informação, já que governo e empresas não o fazem.

- Sim, mas por que o setor energético tem sido uma caixa preta por décadas?

Bermann - A governabilidade foi encontrada através de uma aliança que mantém o círculo de interesses que sempre estiveram no nosso país. É a mesma turma que continua na área energética. E isso é impressionante. A população não participa do processo de decisões. Não existem canais para isso. Ainda no governo FHC, durante a privatização, o governo criou um Conselho Nacional de Política Energética. Nos dois mandatos de FHC participavam os dez ministros, mas havia um assento para um representante da academia e um da chamada sociedade civil. Eles sentavam, discutiam as diretrizes energéticas de uma forma aparentemente saudável, mas, no frigir dos ovos, na prática não mudava nada. De qualquer forma, havia pelo menos esse sentido de escutar. Isso, com Lula, acabou. O resultado do governo "democrático popular" do Lula, nos dois mandatos, e da Dilma, agora, é a negação de escutar outros interesses que não sejam aqueles que sempre estiveram junto ao poder. A própria Dilma, no início do governo Lula, tinha uma dificuldade muito grande de ouvir, de sentar-se com os movimentos sociais e ouvir. Eu tive a oportunidade de vivenciar o primeiro mandato do Lula, lá, em Brasília.
- E qual era o seu papel?

Bermann – Era apagar fogo, este era o meu papel...

- Mas, oficialmente...

Bermann - O meu papel era tentar amenizar um pouco os conflitos, mas, oficialmente, eu fui trabalhar com a Dilma como assessor ambiental no Ministério de Minas e Energia. A ideia inicial era criar uma Secretaria de Meio Ambiente dentro do ministério. Era a época em que tínhamos a Marina (Silva) falando em transversalidade, então havia um ambiente extremamente propício para aparar arestas e ver se a coisa poderia caminhar de uma forma mais adequada. Achei, então, que a melhor forma de fazer isso não era criar um lugar dos ambientalistas no ministério, mas colocar em todas as secretarias do ministério gente que pensasse o meio ambiente. Mas acabei ficando um ano lá em Brasília. Mesmo assim, foi extremamente interessante, porque me permitiu sair da academia e ter, na prática, a percepção de como as coisas se dão no dia a dia dentro do governo.

- E como as coisas se dão no dia a dia dentro do governo?

Bermann – É um horror. É uma lentidão. É um imobilismo. É incrível a capacidade da máquina de governo de fazer de conta que faz sem estar fazendo absolutamente nada. Eu falo isso com todos os pontos nos “is”. No início do governo se buscava um entendimento entre os chamados "ministérios fins" e o meio ambiente. Transportes, por causa da construção de estradas e portos, e Minas e Energia, por causa da atividade mineral, metalúrgica e energética, e as questões ambientais que são intrínsecas a essas atividades. Houve uma boa intenção de levar adiante a possibilidade do estabelecimento de pontos comuns. Fizemos, então, um acordo entre Ministério de Minas e Energia e Ministério do Meio Ambiente em função da definição de "pontos comuns", de procurar verificar onde poderíamos estabelecer alguns consensos. Era um documento em que se definia uma agenda energética e ambiental comuns aos dois ministérios. Se bem me lembro, o documento foi concluído em setembro de 2003. Mas as duas ministras só foram assinar em 31 de março de 2004.

- Por quê?

Bermann – Boa pergunta. Por quê? Boas intenções... mas por quê? Eu realmente não consigo definir exatamente se era uma questão de veleidade... não sei. No final de 2003 a Marina começou a perceber a dificuldade de ela continuar, e o Lula, daquele jeito dele, deixando a coisa acontecer. Naquele momento, o governo poderia ter tido uma agenda comum, um processo extremamente positivo de entender que existem usinas hidrelétricas que não devem ser construídas.

Em 2003, a Dilma estava feliz porque tinha conseguido afastar a turma do Sarney do setor elétrico"

CÉLIO BERMANN

- Imagino que não era fácil ser assessor ambiental da Dilma Rousseff...

Bermann - É, foi uma coisa meio... difícil. Como falei, eu tinha uma relação particular com os movimentos sociais e estava mais numa situação de bombeiro. Vou te contar uma coisa, como referência. Eu encontrei a Dilma na posse do (físico) Luiz Pinguelli Rosa, no Rio de Janeiro, como presidente da Eletrobrás. Ela estava extremamente satisfeita, alegre, contente, porque tinha conseguido, politicamente, afastar a turma do (José) Sarney da seara energética. (Luiz Pinguelli Rosa deixaria o cargo em 2004, a pedido de Lula, que precisava colocar alguém ligado ao PMDB e a José Sarney.) Para você ver. Na época, o (José Antonio) Muniz (Lopes) era diretor da Eletronorte... e depois tornou-se presidente da Eletrobrás (de 2008 a 2011).

- O José Antonio Muniz Lopes, um homem da cota do Sarney, é um personagem longevo nessa história de Belo Monte... Só para situar os leitores, em 1989, no último ano do governo Sarney, ele era diretor da Eletronorte e foi no rosto dele que a índia caiapó Tuíra encostou seu facão por causa da proposta de Belo Monte (então chamada de Kararaô), naquela foto histórica que correu mundo. O tal do Muniz já estava lá... Depois de deixar a presidência da Eletrobrás, no início deste ano, continuou lá, agora como diretor de Transmissão da Eletrobrás...

Bermann – Pois então. Naquela época, em 2003, era ele o diretor da Eletronorte que a Dilma tinha ficado feliz por ter conseguido afastar. Por isso que eu falo que não é o governo Lula, é o governo Lula/Sarney. E agora Dilma/Sarney. Constituiu-se um amálgama entre os interesses históricos do superfaturamento de obras, sempre falado, nunca evidenciado. Não se trata de construir uma usina para produzir energia elétrica. Uma vez construída, alguém vai precisar produzir energia elétrica, mas não é para isso que Belo Monte está sendo construída. O que está em jogo é a utilização do dinheiro público e especialmente o espaço de cinco, seis anos em que o empreendimento será construído. É neste momento que se fatura. É na construção o momento onde corre o dinheiro. É quando prefeitos, vereadores, governadores são comprados e essa situação é mantida. Estou sendo muito claro ao expor a minha percepção do que é uma usina hidrelétrica como Belo Monte.

- No momento em que o senhor encontrou a Dilma, logo na constituição da equipe do primeiro mandato de Lula, o senhor conta que ela estava feliz porque tinha conseguido tirar a turma do Sarney do comando da área energética. O que aconteceu a partir daí?

Bermann - A pergunta é: tirou mesmo?

- E qual é a resposta?

Bermann - Naquele momento, manter esse pessoal à distância era estratégico para reconstruir as relações e viabilizar algumas das diretrizes que tinham sido objeto da proposta de governo. O que aconteceu é que a vida dessa situação (de afastamento) foi extremamente curta devido às relações de poder. Eles não gostaram de se sentir afastados. E eu suponho que a percepção do problema da governabilidade no governo Lula foi uma ação desses setores que tinham percebido que estavam longe da teta da vaca e que não podiam continuar assim. Qual era o jeito de fazer? PMDB era oposição. Vamos conversar... E aí se reacomodam as questões. Eu não digo que seja um grupo de ladrões mercenários. Não é isso que está em jogo. Mas essa capilaridade do Sarney permite manter o usufruto do poder. Eu não sou psicólogo para entender o que o senhor Sarney pensa quando vê o Muniz voltar para o governo, ou quando se encontra diante da incapacidade técnica do senador Edison Lobão ao conduzir o Ministério de Minas e Energia no governo Lula e agora no de Dilma. Não há lógica para isso. Vou dizer de novo: não é possível a gente acreditar na capacidade gerencial de um governo que se submete a esse tipo de articulação política, colocando uma pessoa absolutamente incapaz de entender o que é quilowatt, quilowatt-hora. De ir a público sem saber a diferença entre tensão em volts e energia em quilowatts-hora.

- O senhor está falando do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão?

Bermann- Edison Lobão.

- E Belo Monte ocupa que lugar nesse jogo?

Bermann - É a oportunidade de se fazer dinheiro e de se reconstituir as relações de poder. Essa obra tinha sido sepultada em 1989, por conta da mobilização da população indígena, e voltou à tona no governo Lula, aprovada pelo Congresso (em 2005) com o discurso de que era um novo projeto.
“O valor de Belo Monte aumentou em mais de R$ 20 bilhões em apenas cinco anos. E deverá ser maior ainda. Sem contar que 80% do financiamento é dinheiro público"
CÉLIO BERMANN

- A ameaça de retomar Belo Monte esteve presente também durante o governo Fernando Henrique Cardoso, mas só no governo Lula saiu mesmo do papel, o que ninguém imaginava que acontecesse, devido ao apoio massivo dos movimentos sociais da região à campanha de Lula. O senhor acha que o fato de Belo Monte ter saído do papel tem a ver com a denúncia do Mensalão, em 2005, e a recomposição das forças políticas para a eleição de 2006?

Bermann - Não tenho a mínima ideia. Mas vamos falar em cifras, agora. Em 2006 o projeto foi anunciado com um custo de R$ 4,5 bilhões. Você sabe, as cifras avançaram violentamente. Antes de ir para o leilão, a usina foi avaliada em R$ 19 bilhões. Foi feito o leilão e se definiu um custo fictício de geração de energia elétrica de R$ 78 o megawatt-hora.

- Por que fictício?

Bermann - Fictício porque esse custo não remunera o capital investido. É por isso que várias empresas caíram fora do empreendimento, sob o ponto de vista da geração da energia elétrica. Mas as grandes empreiteiras estão presentes, porque não é na venda da energia elétrica, mas sim na obra que se dá uma parte significativa da apropriação da renda. Com o consórcio constituído com 50% entre Eletrobrás e Eletronorte, as empreiteiras voltaram para fazer a obra. A elas interessa a obra – e não ficar vendendo energia elétrica. Essa situação é entendida pelos dirigentes, pelo governo, como normal. Para o governo federal, é uma parceria público-privada que está dando certo. Em que termos? A obra hoje está oficialmente orçada em R$ 26 bilhões. Imagine, de R$ 4,5 bilhões para R$ 26 bilhões...

- Em cinco anos, o valor da obra avançou em mais de R$ 20 bilhões?

Bermann – Oficialmente está hoje orçada em R$ 26 bilhões. Mas existem estimativas de que não vai sair por menos de R$ 32 bilhões. Isso sem falar em superfaturamento.

- Deste valor, quanto sairá do BNDES, ou seja, do nosso bolso?

Bermann – Oitenta por cento da grana para isso é dinheiro público. O que estamos testemunhando é um esquema de engenharia financeira para satisfazer um jogo de interesses que envolve empreiteiras que vão ganhar muito dinheiro no curto prazo. Um esquema de relações de poder que se estabelece nos níveis local, estadual e nacional – e isso numa obra cujos 11.200 megawatts de potência instalada só vão funcionar quatro meses por ano por causa do funcionamento hidrológico do Xingu. Então, é preciso entender que a discussão sobre a volta da inflação não se dá porque está aumentando o preço da cebola, do tomate, do leite... É por causa da volúpia de tomar recursos públicos que será necessário fabricar dinheiro. O ritmo inflacionário vai se dar na medida em que obras como Belo Monte forem avançando e requerendo que se pague equipamento, que se pague operários, que se pague uma série de coisas e também que se remunere com superfaturamento.

Com Belo Monte, ganham as empreiteiras e os vendedores de equipamentos. E ganham os políticos que permitem que essa articulação seja possível"
CÉLIO BERMANN

- Quem perde a gente já sabe. Agora, quem ganha, além das empreiteiras envolvidas na obra?

Bermann - Há as pessoas que ganham pela obra - fabricantes de equipamentos, empreiteiras. E há quem ganhe não financeiramente, mas politicamente, por permitir que essa articulação seja possível, porque é esse pessoal que vai bancar a campanha para o próximo mandato. É a escolinha ou o posto de saúde que eventualmente aquele vereador, aquele prefeito vai dizer: "É obra minha!". É isso que está em jogo. É dessa forma que a cultura política se estabelece hoje no nosso país. Isso precisa mudar. Como? É complicado.

- O senhor costuma usar a expressão “Síndrome do Blecaute” para se referir ao pânico da população de ficar à luz de velas devido a um apagão energético. Acredita que essa “síndrome” é manipulada pelo governo federal e pelos grandes interesses empresariais para emprestar um caráter de legitimidade a megaobras como Belo Monte?

Bermann – O que eu tenho chamado de "Síndrome do Blecaute" conduz à legitimação de empreendimentos absolutamente inconsistentes. Belo Monte, como foi provado pelo conjunto de cientistas que se debruçaram sobre o tema (painel dos especialistas), é uma obra absolutamente indesejável sob o ponto de vista econômico, financeiro e técnico. Isso sem falar nos aspectos social e ambiental. Mas se dissemina uma ideia do caos e, hoje, há 77 projetos de usinas hidrelétricas somente na Amazônia que utilizam a "Síndrome do Blecaute" para se viabilizarem. O fato de hoje o aquecimento global dominar a mídia e o senso comum, assim como a própria academia, ajuda a mostrar a hidroeletricidade como uma grande maravilha, independentemente do lugar em que a usina vai ser construída e dos impactos que ela vai causar. Mas o que é preciso compreender e questionar? Hoje, seis setores industriais consomem 30% da energia elétrica produzida no país. Dois deles são mais vinculados ao mercado doméstico, que é o cimento e a indústria química. Mas os outros quatro têm uma parte considerável da produção para exportação: aço, alumínio primário, ferroligas e celulose.

- As chamadas indústrias eletrointensivas...

Bermann – Isso. Eu não estou defendendo que devemos fechar as indústrias eletrointensivas, que demandam uma enorme quantidade de energia elétrica a um custo ambiental altíssimo. Mas acho absolutamente indesejável que a produção de alumínio dobre nos próximos 10 anos, que a produção de aço triplique nos próximos 10 anos, que a produção de celulose seja multiplicada por três nos próximos 10 anos. E é isso que está sendo previsto oficialmente.

- O que poucos parecem perceber e menos ainda questionam, quando essas metas são comemoradas, é a forma como o Brasil está inserido no mercado internacional em pleno século XXI. O quanto o fato de nossa economia estar baseada na exportação de bens primários tem a ver com a necessidade de grandes hidrelétricas?

Bermann – Desde a ditadura militar, passando pela redemocratização, pelos sucessivos governos até FHC, tem sido assim. Nós imaginávamos que, com Lula, essa questão ia ser reorientada. Porque o programa de governo em que eu me envolvi preconizava a necessidade dessa mudança. E o que aconteceu? Se você comparar os dados de 2001 com os dados de 2010, vai constatar que a economia brasileira está se primarizando cada vez mais. Isto é: cada vez mais são produzidos no Brasil bens industriais primários, sem agregação de valor. E são justamente os bens primários que consomem muita energia e geram pouco emprego. Além disso, satisfazem uma demanda marcada pelo consumismo. E o Brasil se mostrou incapaz de dizer: "Não, nós não vamos fazer isso".

- E depois esses produtos retornam para o Brasil, via importação, com valor agregado...

Bermann – É. Eu sempre chamo a atenção para o fato de que, do alumínio primário que o Brasil produz, 70% é exportado. E o alumínio consome muita energia. Para se pegar um barro vermelho, que é a bauxita, e transformá-la em alumínio, é preciso um processo de produção extremamente devastador sob o ponto de vista ambiental. Há um primeiro refino para obter a alumina, que é um pó branco. Esse pó branco tem como consequência ambiental uma borra chamada de “lama vermelha”. Um ano atrás, na Europa, na Hungria, houve uma catástrofe em função do rompimento de uma barragem que continha essa lama vermelha e tóxica. Ela se espalhou pelo Rio Danúbio e foi um horror. E cada vez mais se faz isso no nosso país – e, claro, não se faz mais isso nos países centrais. Isso não está acontecendo agora no Brasil, está acontecendo desde os anos 70.

“Com Lula – e agora com Dilma – ocorreu a reprimarização da economia, com exportação de bens primários sem valor agregado, numa subordinação ao mercado internacional"
CÉLIO BERMANN

- Houve acentuação desse processo no governo Lula e agora no de Dilma Rousseff?

Bermann – O que acontece a partir de Lula é o que eu tenho chamado de "reprimarização da economia". Nós já tivemos uma época em que a economia dependia basicamente da produção de bens primários: café, açúcar e também alguns bens industriais primários. Depois, tivemos Getúlio Vargas, Juscelino (Kubitschek), e nos anos 50 houve a substituição das importações com a vinda da indústria pesada. Aquele período marca um processo acelerado de industrialização da economia brasileira em que se buscava um desenvolvimento tecnológico para acompanhar o ritmo internacional. Agora, vivemos a reprimarização da economia. E não é uma questão do governo, simplesmente. O governo poderia tornar essa questão pública, dar condições para que a população compreendesse e debatesse o que está em jogo, e isso pudesse servir como base de apoio para uma tomada de decisão do tipo: "Olha, Alcoa (corporação de origem americana com grande presença no Brasil, é a principal produtora mundial de alumínio primário e alumínio industrializado, assim como a maior mineradora de bauxita e refinadora de alumina), vocês não vão continuar aumentando a produção aqui no Brasil. Procurem um outro lugar. A produção de energia elétrica gera um problema ambiental enorme, um problema social enorme, e nós vamos priorizar a demanda da população”. Mas, infelizmente, isso não é feito.

- Mas essa obstinação do governo Lula, e agora do governo Dilma, em fazer Belo Monte, mesmo já tendo um prejuízo de imagem aqui e lá fora, mesmo tendo mais de uma dezena de ações judiciais contra a obra movidas pelo Ministério Público Federal, fora as outras... Essa obstinação se dá apenas por causa do esquema de governabilidade, do esquema político para as eleições a curto e médio prazo, ou é por mais alguma coisa?

Bermann – Isso já não te parece plausível? Ou você acha que tem alguma coisa meio doentia, que precisa ser explicada? (risos)

- Doentia, não sei. Mas eu gostaria de compreender melhor por que o senhor e a maioria dos especialistas que estudaram o projeto afirmam que esta obra é ruim também do ponto de vista técnico.

Bermann – Divulgaram que esta será a única usina do Xingu. Inclusive, houve um seminário recente aqui na USP em que tive a oportunidade de discutir com o Mauricio Tolmasquim (presidente da Empresa de Pesquisa Energética, ligada ao Ministério de Minas e Energia). E ele veio com essa ladainha: “Vai ser a única...”. E eu disse a ele: “Com o perdão do poeta, o que você está afirmando, somente de papel passado, com firma em cartório e assinado: Deus”.

- O senhor não acredita que será a única usina do Xingu, então?

Bermann – Me diga alguma coisa no nosso país que vigorou como cláusula pétrea. Me fale alguma coisa aqui no nosso país que foi dito de uma forma e se manteve ao longo do tempo. VAI ser necessário construir outras usinas. No atual projeto, esta é uma usina que vai funcionar à plena carga, no máximo, quatro meses por ano, por causa do regime hidrológico. Se ela estiver sozinha, o volume de água para rodar as turbinas dependerá da quantidade de chuva. E aquela região tem a seguinte característica: quando chove, quando tem água, quando desce a água dos tributários para o Xingu é muita água, é um volume enorme de água. Mas isso só acontece durante quatro meses por ano. Só nesse período os 11.200 megawatts vão estar operando. Em outubro, na época da estiagem, será apenas 1.100 megawatts, um décimo. Então, a pergunta é: por que construir uma usina desse porte, se, na média anual, ela vai operar com 4.300 megawatts? Necessariamente vão vir as outras quatro. Eu estou afirmando isso, infelizmente. Tecnicamente, eu tenho absoluta certeza. Porque as usinas rio acima vão segurar a água e aí Belo Monte não vai depender da quantidade de chuva. É o único jeito dessa potência instalada de 11.200 megawatts existir de fato.

“O conceito do governo e das empresas não é o de população atingida, mas o de população afogada"
CÉLIO BERMANN

- O senhor está dizendo que o governo federal está mentindo ao afirmar que será apenas uma usina, para conseguir vencer as resistências ao projeto e aprová-la, e depois fará mais três ou quatro?

Bermann – Estou dizendo que, da forma como esta usina está colocada, é uma aberração técnica tão grande que é totalmente ilógico construí-la.

- E essa afirmação, discutida hoje na Justiça, de que os povos indígenas não serão atingidos?

Bermann – A noção que as empresas e o governo federal têm é a noção de população afogada – e não atingida.

- Agora, digamos que nós concordássemos que a obstinação de construir Belo Monte, ainda que atropelando a população e talvez a Constituição, se devesse à necessidade de energia elétrica. E digamos que Belo Monte fosse de fato um projeto de engenharia viável e inteligente. As usinas hidrelétricas são as melhores opções para a geração de energia no Brasil de hoje? Quais são as alternativas a elas?

Bermann – Não podemos olhar a questão da produção de energia sem questionar ou considerar o outro lado, que é o consumo de energia. Parece meio prosaico, porque envolve hábitos culturais da população. E a população sempre entendeu que energia elétrica se resume a você apertar o botão e ter eletricidade disponível. E por isso fica em pânico com a “Síndrome do Blecaute”. Mas é preciso pensar além disso. Não estou dizendo para fechar as fábricas de alumínio, de aço e de celulose no Brasil. O que estou dizendo é o seguinte: parem de ampliar a produção. Parem, porque diversos países desenvolvidos já fizeram isso. O Japão fez mais do que isso. O Japão produzia, em 1980, 1,6 milhões de toneladas de alumínio. Nós estamos produzindo quase 1,7 milhões de toneladas hoje. Só que a energia elétrica necessária para produzir alumínio tornou-se da ordem do absurdo. Então o governo japonês, as empresas japonesas produtoras de alumínio e os trabalhadores da indústria do alumínio realizaram um debate que culminou com o fechamento de todas as usinas de produção de alumínio primário no Japão, exceto uma. Isso ainda nos anos 80. Hoje, o Japão produz apenas 30 mil toneladas. De 1,6 milhões para 30 mil toneladas. Diante da necessidade de gerar muita energia para produzir alumínio, o que o Japão fez? O governo e a sociedade japonesa disseram: “Vamos priorizar a eficiência, o maior valor agregado. Nós não precisamos produzir aqui. Tem o Brasil, tem a Venezuela, tem a Jamaica, tem os lugares para onde a gente pode transferir as plantas industriais e continuar a assegurar o suprimento para a nossa necessidade industrial. A gente pega esse alumínio, agrega valor e exporta na forma de chip. Parece uma coisa tão besta, né? Mas foi isso o que os japoneses fizeram. Eles mantiveram o crescimento econômico e reduziram a demanda por energia. Nós estamos caminhando no sentido inverso. Estamos aumentando o consumo de energia a título de crescimento e desenvolvimento, e, numa atitude absolutamente ilógica, porque a gente exporta hoje a tonelada de alumínio a US$ 1.450, US$ 1.500 dólares. E, para se ter uma ideia, hoje falta esquadrias de alumínio no mercado interno, no mercado de construção brasileiro. O preço foi aumentado por indisponibilidade. Hoje, e fizemos um estudo recente sobre isso, é preciso importar esquadrias de alumínio porque a oferta no mercado interno é insuficiente. E, enquanto o Brasil exporta o alumínio por US$ 1.450, US$ 1.500, o preço da tonelada de esquadria importada é o dobro: cerca de US$ 3 mil a tonelada.

- Para o senhor, a questão de fundo é outra...

Bermann - Nós temos pouca capacidade de produzir alumínio com valor agregado. Então, não estou dizendo para fechar essas fábricas, botar os trabalhadores na rua, mas dizendo para parar de produzir alumínio primário, que exige uma enorme quantidade de energia, e investir no processo de melhoria da matéria-prima para satisfazer inclusive a demanda interna hoje insatisfeita. Agora, vai perguntar isso para a ABAL (Associação Brasileira de Alumínio). Veja se eles estão pensando dessa forma. Billiton, Alcoa, mesmo o sempre venerado Antônio Ermírio de Moraes, com a Companhia Brasileira de Alumínio. A perspectiva desse pessoal é a cega subordinação ao que define hoje o mercado internacional, o mercado financeiro. E é assim que o nosso país fica desesperado com a ideia de que vai faltar energia.

Não é Programa Luz para Todos, mas Luz para quase Todos ou Conta de Luz para Todos"
CÉLIO BERMANN


- Além de ser um modelo de desenvolvimento que prioriza a exportação de bens primários, sem valor agregado, é também um modelo de desenvolvimento que ignora o esgotamento de recursos. Enquanto tem, explora e lucra. Alguns poucos ganham. O custo socioambiental, agora e no futuro, será dividido por todos...

Bermann – Isso. Os recursos naturais são limitados. Por isso, no meu ponto de vista, a discussão do aquecimento global obscurece o entendimento da hidroeletricidade em particular. Ficamos às cegas. Para transformar o barro da bauxita naquele pó branco do alumínio, que depois é fundido através de uma corrente elétrica, é uma quantidade de energia enorme, absurda. Essa possibilidade você não vai conseguir com energia solar, com energia eólica. São processos produtivos que exigem a manutenção do suprimento de energia elétrica 24 por 24 horas. A solar não consegue fazer isso na escala necessária. Uma tonelada de alumínio consome 15 a 16 mil kilowatts-hora. Para se ter uma ideia, na média, o consumidor brasileiro consome, por domicílio, 180 kilowatts-hora por mês, o que é baixo. Nós ainda estamos vivendo uma situação muito próxima da miserabilidade em termos energéticos para a população. Nós temos uma demanda a ser satisfeita com equipamentos eletrodomésticos. Satisfeita não construindo grandes usinas hidrelétricas para as empresas eletrointensivas, mas para conseguirmos equilibrar a qualidade de vida, que se deve fundamentalmente a uma herança histórica: a de sermos um dos países com a pior distribuição de renda do mundo.

- Uma das piores distribuições de renda e uma das piores distribuições de eletricidade do mundo...

Bermann – Eu chamo o programa de universalização de "Luz para quase todos". Não é para todos, é para quase todos. Desde que estejam próximos da rede para extensão, tudo bem. Mas, para o sujeito distante, só agora é que se começa a pensar em sistemas de produção descentralizada. A percepção ainda é, infelizmente, de pegar e estender a rede. Mas o custo de extensão da rede é muito alto. Principalmente, se você pegar e atravessar 15 quilômetros para atender duas, três casas. O lógico seria a adoção de energia descentralizada em escala menor, que seja mais bem controlada pela população. Mas isso não passa pela cabeça porque define inclusive uma outra relação social. Eu também chamo esse programa de “Conta de luz para todos”, porque de repente você fica refém de uma companhia e necessariamente paga conta de luz, quando você poderia criar uma situação de autonomia energética.

- O senhor poderia explicar melhor quais são as alternativas para a população, já que todos nós crescemos dentro de uma lógica em que recebemos a conta da luz e pagamos a conta da luz; apertamos um botão na parede e a luz se faz. A realidade está exigindo que sejamos mais criativos e tenhamos mais largura de raciocínio. Quais são as alternativas para o cidadão comum, especialmente o de regiões mais afastadas?

Bermann – Depende muito do acesso à tecnologia existente no local ou na região. Hoje, por exemplo, temos no Rio Grande do Sul uma experiência de queimar casca de arroz para gerar energia. O calor da queima da casca de arroz aquece a água, a água se transforma em vapor e esse vapor é injetado num tubo e gira uma turbina produzindo energia elétrica. Não tem nada de fantástico nisso, esse processo é conhecido há muito tempo, mas, puxa vida, eu estou tão acostumado a simplesmente acender e apagar o botão... Vou ficar agora me preocupando se tem combustível? Existe um lado meio trágico da população em geral que é o comodismo: deixa que resolvam por mim. Então, quando você me pergunta sobre alternativas, depende do que a gente está falando. Existem alternativas promissoras deixando de produzir mais mercadorias eletrointensivas. Como também é promissor ter esquemas de financiamento para que o pequeno empresário adquira um painel fotovoltaico (placa que transforma luz solar em energia elétrica) ou uma usina de geração eólica (transformação de vento em energia elétrica). E use essa tecnologia que está disponível para satisfazer as suas necessidades, sem necessariamente ficar ligado a uma grande linha de transmissão, de distribuição, puxando energia não sei de onde.

- O que o senhor diria para a parcela da população brasileira que faz afirmações como estas: "Ah, se não construir Belo Monte não vai ter luz na minha casa", ou "Ah, esses ecochatos que criticam Belo Monte usam Ipad e embarcam em um avião para ir até o Xingu ou para a Europa fazer barulho". O que se diz para essas pessoas para que possam começar a compreender que a questão é um pouco mais complexa do que parece à primeira vista?

Bermann – Não é verdade que nós estamos à beira de um colapso energético. Não é verdade que nós estamos na iminência de um “apagão”. Nós temos energia suficiente. O que precisamos é priorizar a melhoria da qualidade de vida da população aumentando a disponibilidade de energia para a população. E isso se pode fazer com alternativas locais, mais próximas, não centralizadas, com a alteração dos hábitos de consumo. É importante perder essa referência que hoje nos marca de que esse tipo de obra é extremamente necessário porque vai trazer o progresso e o desenvolvimento do país. Isso é uma falácia. É claro que, se continuar desse jeito, se a previsão de aumento da produção das eletrointensivas se concretizar, vai faltar energia elétrica. Mas, cidadãos, se informem, procurem pressionar para que se abram canais de participação e de processo decisório para definir que país nós queremos. E há os que dizem: “Ah, mas ele está querendo viver à luz de velas...”. Não, eu estou dizendo que a gente pode reduzir o nosso consumo racionalizando a energia que a gente consome; a gente pode reduzir os hábitos de consumo de energia elétrica, proporcionando que mais gente seja atendida, sem construir uma grande, uma enorme usina que vai trazer enormes problemas sociais, econômicos e ambientais. É importante a percepção de que, cada vez que você liga um aparelho elétrico, a televisão, o computador, ou a luz da sua casa, você tenha como referência o fato de que a luz que está chegando ali é resultado de um processo penoso de expulsão de pessoas, do afastamento de uma população da sua base material de vida. E isso é absolutamente condenável, principalmente se forem indígenas e populações tradicionais. Mas também diz respeito à nossa própria vida. É necessário ter uma percepção crítica do nosso modo de vida, que não vai se modificar amanhã, mas ela precisa já estar na cabeça das pessoas, porque não é só energia, é uma série de recursos naturais que a gente simplesmente não considera que estão sendo exauridos e comprometidos. É necessário que desde a escola as crianças tenham essa discussão, incorporem essa discussão ao seu cotidiano. Eu também tenho uma dificuldade muito grande de chegar aqui na minha sala e não ligar logo o computador para ver emails, essas coisas. Confesso que tenho. Mas eu também percebo uma grande satisfação quando eu consigo não fazer isso. E essa percepção da satisfação é uma coisa cultural, pessoal, subjetiva. Mas ela precisa ser percebida pelas pessoas. De que o nosso mundo não existe apenas para nos beneficiarmos com essas "comodidades" que a energia elétrica em particular nos fornece. Agora isso exige um esforço, e a gente vive num mundo em que esse esforço de perceber a vida de outra forma não é incentivado. Por isso é difícil. E por isso, para quem quer construir uma usina, quer se dar bem, quer ganhar voto, quer manter a situação de privilégio, seja local ou nacional, para essas pessoas é muito fácil o convencimento que é praticado com relação a essas obras. Por mais que eu tenha sempre chamado a atenção para o caráter absolutamente ilógico da usina, das questões que envolvem a lógica econômico e financeira dessa hidrelétrica, para o absurdo que é a utilização do dinheiro público para isso, para a referência à necessidade de se precisar, num futuro próximo, enfrentar um ritmo violento de custo de vida, emitindo moeda para sustentar empreendimentos como esse, é muito difícil fazer com que as pessoas compreendam a relação dessa situação com as grandes obras. E Belo Monte é mais um instrumento disso. Eu não sou catastrofista, não tenho a percepção maléfica da hidroeletricidade. Não demonizo a hidroeletricidade. Eu apenas constato que, da forma como ela é concebida, particularmente no nosso país nos últimos anos, é uma das bases da injustiça social e da degradação ambiental. Se não é pensando em você, você necessariamente vai precisar pensar nas gerações futuras. Este é o recado para o leitor: é preciso repensar a relação com a energia e o modelo de desenvolvimento, é preciso mudar o nosso perfil industrial e também é preciso mudar a cultura das pessoas com relação aos hábitos de consumo. Nós precisamos mudar a relação que nos leva a uma cega exaustão de recursos.

Em Brasília há um vírus letal que se chama ‘Brasilite’. É um verme que entra pelo umbigo e faz com que a pessoa se ache o centro do universo"
CÉLIO BERMANN


- O senhor acha que a Dilma tem essa obstinação com Belo Monte, em parte, por teimosia?

Bermann - Ela é muito cabeça dura.

- Às vezes eu acho que as questões subjetivas têm um peso maior do que a gente costuma dar. Não sei...

Bermann - É, mas eu também não sei, não tenho nenhuma proximidade maior com o que ela está pensando agora. O que eu sei é que, no dia a dia, lá no ministério, ela demonstrava uma capacidade muito reduzida de ouvir. Ela pode até ouvir, mas as coisas na cabeça dela já estão postas.
- Por que o senhor saiu do governo em 2004?
Bermann - Porque venceu o contrato, e eu achei que não valia a pena continuar. Há conhecidos meus que foram na mesma época que eu e estão até hoje em Brasília. Não estão mais no ministério, mas estão em Brasília. Acho que Brasília é uma cidade com um vírus letal, que é a "Brasilite". A "Brasilite" se compõe de um verme que entra no umbigo e toma a barriga da pessoa de forma a ela achar que é o centro do universo. A partir daí, mudam as relações pessoais, o que a pessoa era e o que ela passa a ser. Eu mesmo perdi muitos amigos que começaram a empinar o queixo. Fazer o quê? E isso faz parte do “modus vivendi” brasiliense. Basta você ter um terno e uma gravata que você é doutor. Eu acho que a gente não vai muito longe alimentando isso.

- O senhor participou da elaboração do programa de Lula na campanha de 2002 e participou do primeiro ano de governo. Está desiludido?

Bermann – Eu não aceito quando me definem como: "Ah, você também é daqueles que estão desiludidos, estão chateados...". Tem essa conotação, né? Em absoluto. Eu não estou desiludido, chateado, bronqueado. Eu estou indignado!

- Quando o senhor se desfiliou do PT?



Bermann – Ah, quando o bigode do Sarney estava aparecendo muito nas fotos.
(Eliane Brum escreve às segundas-feiras)

DISCURSO DA IMORALIDADE!

Discurso da imoralidade

Ter, 22 de Novembro de 2011 08:43


Maria Lucia Victor Barbosa * - 20/11/2011

Não é à-toa que a classe dirigente petista odeia a liberdade de pensamento que inclui a imprensa livre, aquela que dá azia em Lula da Silva. Incomoda aos outrora defensores da ética o escancaramento da corrupção dos companheiros e de seus sócios em falcatruas, ou seja, da base aliada.
Exemplos de imprensa "inconveniente" não têm faltado, a ponto de se pensar que o Brasil está sendo governado por um sindicato do crime onde larápios do povo se esparramam pelos Três Poderes, refestelados na impunidade que lhe é facultada por não serem "pessoas comuns".
Recorde-se, para citar um exemplo, a reportagem da Veja (31/08/2011) que trata de um dos mentores do PT, o ex-ministro, deputado cassado, chefe da quadrilha do mensalão (como a ele se referiu um Procurador-Geral da República), homem de duas caras, José Dirceu.
Segundo a Veja, Dirceu é um homem de negócios que gosta de ser chamado de ministro e mantém uma espécie de gabinete em hotel de Brasília por onde transitam figurões como ministros, senadores, deputados, presidentes de estatais e magnatas da chamada elite capitalista. Todos devidamente fotografados pela revista para que não reste dúvida sobre os bons relacionamentos de José Dirceu junto à classe A da economia e da política.
A romaria vai em busca da influência que Dirceu ainda mantém no Congresso, no Judiciário, nas estatais, nos bancos públicos, nos fundos de pensão, na telefonia, nas empreiteiras, nos bancos particulares. Dirceu é, pois, um "cardeal" da seita PT e seus "amigos" nacionais e internacionais contam com o sigilo da confissão e o charme do mistério que envolve os "interesses". Portanto, Dirceu continua íntimo dos que ele chama no pior sentido de "elites". Afinal, é "consultor de empresas", entre outras, as do setor do petróleo e gás.
No seu partido José Dirceu exerce enorme fascínio. Se não ultrapassa Lula da Silva, pelo menos é a segunda estrela fulgurante a ser seguida e adorada. E como tal que fez sucesso no 2º Congresso da Juventude do PT realizado recentemente.
No evento Dirceu proferiu o discurso da imoralidade criticando a "luta moralista contra a corrupção". Ele se referia aos movimentos espontâneos, que das redes sociais acorrem às ruas e às denúncias da imprensa não cooptada pelo governo petista.
O poderoso homem do PT fez bonito para a juventude dourada petista, devidamente doutrinada para crer que moral é coisa de burguês. Algo que não deixa de soar delicioso porque abre as comportas da roubalheira oficial aos companheiros. Não importa se o povo é lesado pela conduta criminosa dos ministros que têm caído sob o peso de documentos, fotos, depoimentos.
Antigamente o PT dizia ser o defensor dos pobres e oprimidos, que são os mais prejudicados pelos ministros corruptos de Lula/ Rousseff, incluindo Carlos Lupi, do Trabalho, que se agarra vergonhosamente ao cargo. Um péssimo exemplo para a juventude, mas, como ensinou a presidente no discurso do cinismo: "passado é passado".
Não podia faltar também da parte do misto de lobista e guru do PT o discurso contra as elites. Aquelas que sustentam as campanhas petistas e que devem lhe dar, assim como a muitos companheiros, lucros nada desprezíveis. E os jovens petistas, deslumbrados, agraciaram o ídolo com uma camiseta onde se lia: "Contra o golpe das elites – Inocente".
O golpe das elites, teoria da conspiração forjada por Dirceu produz aquela excitação aos que se julgam superiores por conhecer certos segredos inacessíveis ao vulgo, aquele prazer de denegrir quem se deseja atingir. Desse modo são forjados mitos que prevalecem como verdades inquestionáveis por mais idiotas que sejam. Ou, então, vingam-se recalques contra os melhores, pois a inveja é sentimento intrínseco ao ser humano. Exemplo: os Estados Unidos são o grande Satã Branco. Os judeus matam criancinhas em seus rituais e querem dominar o mundo. O holocausto não existiu.
No seu discurso da imoralidade Dirceu não podia deixar de mencionar o PSDB. Estranha obsessão contra um partido que, com exceção de alguns de seus políticos nunca foi oposição ao PT. Mas, contra o PSDB Dirceu foi moralista ao sentenciar: "Quando dizem que tem de responsabilizar o ministro e o partido por problemas no ministério, então, tem que se responsabilizar o PSDB, o Geraldo Alckmin e o José Serra pelo escândalo das emendas (?) em São Paulo". Nessa toada tem que se responsabilizar Lula e seu partido pelos inúmeros escândalos de corrupção de seus ministros. O mesmo serve para Rousseff se não fizer uma faxina de verdade.
Lembre-se, porém, Dirceu, que dentro de todo ser humano existe a capacidade de diferenciar o bem e o mal, independente da época e da sociedade. Por isso, até o mais cínico e hipócrita dos ministros de Lula repassados a Rousseff oculta seus atos corruptos ou trata de mentir sobre eles porque sabe que pode ser jugado, não pela burguesia moralista, mas pela opinião pública.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br
www.maluvibar.blogspot.com

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

CARTA A UM PETISTA

CARTA A UM PETISTA – FREI BETO.


O texto que segue foi escrito por Frei Beto – um dos fundadores do PT e uma personalidade reconhecida internacionalmente pela sua luta em prol dos ideais esquerdistas – intitulado “Carta A Um Petista”, o artigo traz considerações feitas por Frei Beto em relação ao atual estado de decomposição moral e ética em que se encontra o PT de hoje.

Mesmo sabendo que aqueles que defendem Lula e seus cúmplices, quase com a religiosidade própria de uma seita fanática, não ficarão contentes com o que foi dito pelo frei. Muito provavelmente, as acusações sem imaginação de sempre, tais como “escravo da direita”, “entreguista” e etc … brotarão por aqui. Mas, antes que se prestem a isso, esse pessoal deve pensar numa única coisa: Será que realmente todas as figuras históricas que abandonam e abandonaram o PT (Sandra Starling em Minas, Marina Silva, Heloísa Helena e tantos outros nomes) ou mesmo a militância do Maranhão, que aos gritos de “Heil Hitler”, engoliu a aprovação da aliança do PT com Roseana Sarney naquele estado estão mesmo tão a serviço da “direita”?



Na verdade, talvez, esses fanáticos defensores de Lula e do PT de hoje tenham razão. Essa corja que largou o barco sejam mesmo traidores “de direita” e “a serviço dos tucanos amantes de FHC”. Certeza mesmo é que eles não são honestos e nem probos como são os grandes nomes do “novo PT” como Zé Dirceu, Zé Genoíno, Delúbio Soares, Silvinho Pereira, Marcelo Sereno, João Carlos Genu, Duda Mendonça, Waldomiro Diniz, Marcos Valério, Waldemar Costa Neto, Roberto Jefferson, Bispo Rodrigues, José Janene, Pedro Henry, Luiz Gushiken (o Ho Chi Min brasileiro), José Borba (a lista é enorme. Apenas citei alguns). A esses senhores devemos reverência e obediência por representarem o que há de melhor na esquerda nacional.

Afinal, não seriam essas pessoas que abandonaram o glorioso PT, apenas fiéis à ética e ao programa do partido que criaram e que hoje está corrompido e entregue a uma canalhada faminta de poder, cargos e recursos públicos? É líquido e certo que exigir coerência e ética é ser “de direita” e amar FHC?

A essas perguntas, Lula e seus atuais fanáticos seguidores, não têm respostas. Mesmo com toda a propaganda institucional – paga a peso de ouro – que esse pessoal derrama, com o único propósito de submeter a verdade a em uma cascata de mentiras e de meias verdades e enganar os incautos esperançosos; fica difícil disfarçar os apoios escusos, as maracutaias freqüentes, as gafes éticas e o constante flerte com o autoritarismo.



A você que defende Lula e o atual PT com tanta força e com tanta gana, esse texto de Frei Beto pode parecer algo como uma pedrada na cara. Mas, acredite; é a mais pura realidade. E é essa realidade que o projeto de poder dessa corja que aí está deseja esconder de você a todo custo.

Brasil; acorde enquanto é possível e mude enquanto pode.

Ou será tarde demais…

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“CARTA A UM PETISTA”

Frei Beto.

Rio – Meu caro: recebi sua carta na qual descreve a confusão política que o atormenta. Pressinto quão sofrido é ver o seu partido refém de velhas raposas da política brasileira, com o risco de ser definitivamente tragado, como Jonas, pela baleia.

Pergunto-se se o PT voltará, algum dia, a ser fiel a seus princípios e documentos de origem. Hoje, ele luta por governabilidade ou por empregabilidade de seus correligionários? É movido pela ânsia de construir um novo Brasil ou pelo projeto de poder?

Nunca fui filiado a partido, como você sabe e muitos ignoram. É verdade que ajudei a construir o PT, mobilizei Brasil afora as Comunidades Eclesiais de Base e a Pastoral Operária.

Eleito presidente, Lula me convocou para o Fome Zero. Aceitei. Mas o governo que criou o Fome Zero decidiu por sua morte prematura e deu lugar ao Bolsa Família.

Trocou-se um programa emancipatório por outro compensatório. Peguei o meu boné. Tudo isso narrei em dois livros, “A Mosca Azul” e “Calendário do Poder”.

Amigo, não o aconselho a deixar o PT. Não se muda um país vivendo fora dele. Há no PT muitos militantes íntegros, fiéis a seus princípios fundadores e dispostos a lutar por uma nova hegemonia na direção do partido.

Ainda que você não engula essas alianças “espúrias”, sugiro que prossiga no partido e vote em seus candidatos ou nos candidatos da coligação. Mas exija deles compromissos públicos. Lute, expresse sua opinião, revele sua indignação.

Ajude o PT a recuperar sua credibilidade ética e a voltar a ser expressão política dos movimentos sociais que congregam os mais pobres e as bandeiras que exigem reformas estruturais no Brasil.

(Fonte: Jornal O DIA)

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UPDATE: Mais dois que passam a ser “da direita”:

Em greve de fome, fundador do PT é atendido pelo serviço médico da Câmara

Priscilla Mazenotti
Da Agência Brasil
Em Brasília

Um dos fundadores do PT nacional, Manoel da Conceição, que faz greve de fome junto com o deputado Domingos Dutra (PT-MA), passou mal na noite de ontem (15) e foi atendido no Departamento Médico da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Ele tem sido acompanhado pela equipe médica da Câmara e por assessores, que monitoram sua saúde. Há cinco dias, Manoel da Conceição iniciou a greve de fome em protesto contra a intervenção do diretório nacional do partido no Maranhão.

O PT nacional decidiu apoiar a candidatura de Roseana Sarney (PMDB) ao governo do Estado e anular a decisão do diretório estadual em favor da candidatura do deputado Flávio Dino (PCdoB).

Flávio Dino pediu a Manoel da Conceição que acabe com a greve de fome. “Ele tem 75 anos, é um herói da luta contra a ditadura, fundador do PT. Está doente, pode morrer a qualquer momento”, disse.

Manoel da Conceição foi preso, torturado e exilado durante a ditadura militar. Teve uma perna amputada porque foi alvo de tiros da polícia na época.

“Só saio daqui para o cemitério, ou se o PT suspender a decisão que tomou. Enfrentei 20 anos de ditadura, não vou enfrentar isso?”, disse o militante.

Desde sexta-feira (11), o deputado Domingos Dutra está no plenário da Câmara bebendo apenas água mineral e água de coco. Ele dorme em um colchão e usa o banheiro dos servidores da limpeza. Dutra disse que já emagreceu mais de três quilos no período.

“Nunca fui de comer muito mesmo”, afirmou.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

SÓ BURRO OU DEMENTE VOTA NO PARTIDO QUE ESTÁ AFUNDANDO O BRASIL

TERÇA-FEIRA, 15 DE NOVEMBRO DE 2011

SÓ BURRO OU DEMENTE VOTA NO PARTIDO QUE ESTÁ AFUNDANDO O BRASIL




POR LÚCIO NETO


Em 2006, em meio ao maior escândalo desde a descoberta do Brasil por Cabral - o mensalão do PT - o eleitor resolveu reeleger Lula por mais quatro anos. Numa campanha em que imperou o desreipeto à legislação eleitoral, o regime petista lascou a lenha com mentiras e mais mentiras. O povo acreditou. Em 2010 nada foi diferente. Com praticamente cem por cento dos veículos de comunicação do país nas mãos, o regime mais uma vez convenceu a votar em sua candidata.
O resultado é este que se vê: corrupção e ineficiência. É a tal história me engana que eu gosto. Bate que eu gamo.
Enquanto isso, o país acumula troféus de incompetência: IDH = 84º lugar; 95º lugar no Analfabetismo; 106º no ranking de Mortalidade Infantil; 71º lugar no ranking Renda Per Capita; 52º lugar entre 110 países da America Latina melhor para se viver e PRIMEIRO LUGAR NO MUNDO EM CORRUPÇÃO com mais de R$ 80 bilhões desviados por verdadeiras quadrilhas que assaltam à luz do dia o bolso do brasileiro.


MAIS VERGONHOSO QUE ISSO SÓ ROUBAR DINHEIRO DA SOGRA
Por e-mail recebo do ex-blog do Cesar Maia estas informações. Leia:

NOTAS ECONÔMICAS BRASILEIRAS!

1. (Globo, 12) Documento apresentado em Paris pelo ministro da SAE, W. M. Franco, o Brasil tem a maior taxa de rotatividade do mundo: 41% da força de trabalho mudam de emprego a cada ano. Na faixa de um a dois salários mínimos esse percentual passa de 50%.

2. (Merval – Globo, 12) Os países desenvolvidos aplicam cerca de 7% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. O Brasil não passa de 1%, sendo largamente suplantado por Coréia do Sul e China países que estavam atrás do Brasil em 1980. Em 1960 a Coréia tinha escolaridade média superior em 1,4 anos de estudo, e hoje essa diferença já está em mais de 6 anos. A participação brasileira na produção mundial caiu de 3,1% em 1995, para 2,9% em 2009. No mesmo período, a China saltou de 5,7% para 12,5% e a Índia foi de 3,2% para 5,1%.

3. (Folha de SP, 13) Apesar de ter crescido na última década, a indústria brasileira perdeu espaço não só para a chinesa, mas também para a de outros países. O peso do Brasil na indústria de países emergentes recuou de 8% em 2000 para 5,4% em 2009, de acordo com a Onudi (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial).

4. A estimativa é que a Dívida Ativa somada, do governo federal, previdência, estados e municípios supere três PIBs do Brasil.

5. Em 2011, Brasil será o país da América Latina com o menor crescimento do PIB.

6. (Estado de SP, 13) Nas últimas semanas, três construtoras - Even, Gafisa e Eztec -cortaram em até 36% o preço de um grupo de imóveis novos. Uma cobertura de alto padrão, que custava R$ 4,2 milhões, passou a ser ofertada por R$ 2,8 milhões. Um apartamento na zona sul de São Paulo, avaliado em R$ 425,6 mil, agora sai por R$ 383,1 mil.


Enfim, quem ainda vota neste partido é burro ou demente. Um partido que um dos seus principais líderes,o ex-ministro da Casa Civil, deputado cassado e réu no processo do mensalão José Dirceu discursando para uma plateia de centenas de militantes no 2º Congresso da Juventude do PT, em Brasília, criticou o que chamou de "luta moralista contra a corrupção". Ele foi homenageado pelos organizadores com uma camiseta em que aparece sua imagem, a frase "contra o golpe das elites" e a palavra "inocente". O julgamento do processo do mensalão pode acontecer no próximo ano, segundo informações do Estadão.

E VIVA A REPÚBLICA BRASILEIRA. FORA OS CORRUPTOS!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O MALFEITO TEM PODER

QUARTA-FEIRA, 9 DE NOVEMBRO DE 2011




O MALFEITO TEM PODER

Por Denilson Cicote

O politicamente correto infectou nossa vida. Um exemplo são as palavras roubo, desvio, corrupção, gatunagem terem virado "malfeito".

Quando vejo políticos dizerem malfeitos para os roubos mais descarados de dinheiro público, imagino logo: o que quer dizer é que ele sim, saberia roubar da forma certa, um roubo "bem feito", que não apareceria nos jornais e TVs de todos país? Que o Ministério Público não descobrisse? Que ficasse eternamente impune? Dizer malfeito pra tudo isso que está ocorrendo é compactuar com os corruptos , é como chamar criminosos de aloprados. Isso já ocorreu.

As pessoas precisam perceber e entender que a palavra tem poder real. Apenas com a palavra conseguimos dar uma forma substancial às coisas sem que necessariamente existam, entendê-la, como se ela tivesse o poder de, do nada, criar o concreto. Como diz Jacopo Belbo em o Pêndulo de Foucault, "Deus falou e não mandou um fax: 'Fiat Lux', segue espístola". Palavra tem um poder tão grande que percebemos nos discursos que o politico, o homem público, não pode responder a todas as demandas e problemas, mas pela palavra, pelo truque retórico nos faz acreditar que há ações reais em curso. Os novos programas da presidente na saúde são uma boa amostra disso: dada a situação de revolta das pessoas pela situação deixada e mantida pelo atual governo no SUS, ela simplesmente anuncia um novo programa com forte componente emocional, como se o SUS fosse centrado agora no individuo. Nada mudará no SUS, mas pessoas acreditarão que algo está sendo feito, e algo será feito apenas para que as palavras presidenciais pareçam ter se transformado em ação. Faça-se a saúde, e assim foi feito.

Mas vamos voltar à palavra malfeito. Ela certamente não se encaixa em roubo, corrupção, etc. Pode se encaixar bem, por exemplo, em reclamações sexuais: "Você fez malfeito ontem", ou “Que dor nas costas, aquela posição do Kama Sutra foi mal feita”. Malfeito também pode querer dizer, ainda falando de sexo, de convite: "Vamos ali dar um malfeito rapidinho e já voltamos?" Porém só fará sentido se um deles ou ambos forem casados, namorados ou noivos, e então será um malfeito não para o saidinho casal, mas para o portador(a) de saliente massa óssea no crânio, conhecido fora dos círculos politicamente corretos por corno. Viram, não é mais fácil e definitivo dizer corno? Mesmo sendo o último a saber, é importante também entender o que se é. É corno e isso basta!

Malfeito também é uma forma de suavizar a palavra "merda". Dizer a alguém que fez malfeito é dizer educadamente que está uma merda. Olhar para o seu filho que estuda na USP e dizer: "Puxa filho, vocês fizeram um malfeito", é dizer que fizeram uma merda de protesto. Olhar para o serviço que o pedreiro fez em sua parede da sala de estar e dizer com toda delicadeza: “olhe meu caro, acho que isso está malfeito” é falar de uma forma educada que a sua sala de estar não é mais um lugar onde você gostaria de estar pois ficou uma merda.

A ditadura do politicamente correto está fazendo das pessoas um bando de palermas, que tentam se comportar sempre com o que chamávamos antigamente de “sangue de barata”. Aos donos do poder interessa em muito isso, pois ao retirar o peso e a carga negativa, faz com que se perceba de forma diferente a realidade.

Chamar corrupção de malfeito significa que teremos de começar chamar ladrão de tomador das coisas alheias e assassino de encurtador de vidas? Pare o mundo que eu quero descer! As coisas têm nomes que as definem corretamente, e em filosofia e política chamar as coisas pelo nome certo ajuda na clareza do pensamento, ajuda a saber realmente do que se trata e é disto que trata este texto, ainda que malfeito.

Denilson Cicote é o @deci_cote, que fala de "humor e política na medida certa e às vezes na medida errada, já que o homem é a medida de todas as coisas."

Arquivo:
A ENTREVISTA

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

POR QUE DEIXEI DE ADMIRA O SÍLVIO "BAÚ" SANTOS!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

POLÍTICA - PanAmericano usou franquia para fazer doação ao PT em 2010
O banco PanAmericano doou R$ 300 mil para o diretório nacional do PT em maio do ano passado, poucos meses antes do início da campanha que levou a presidente Dilma Rousseff ao Planalto, informa reportagem de Flávio Ferreira, Julio Wiziack e Tôni Sciarretta, publicada na Folha desta quinta-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).


PanAmericano disfarçou doações para Lula em 2006

PF apura 'desvio' do PanAmericano para empresa em Miami

PF desiste de indiciar Deloitte em caso do PanAmericano

A contribuição foi contabilizada regularmente pelo partido, mas foi feita de maneira dissimulada pelo banco, que usou empresa com a qual tinha relações comerciais para fazer o repasse e disfarçar a origem do dinheiro.

A doação foi feita poucas semanas depois do início das investigações do Banco Central que apontaram fraudes nas operações do PanAmericano e mais tarde revelaram um rombo de R$ 4,3 bilhões na sua contabilidade.

Na mesma época em que a contribuição foi feita, o banco discutia com a cúpula do PT a contratação de uma de suas empresas para viabilizar o uso de cartões de crédito para captar doações eleitorais na internet.

OUTRO LADO



Procurado pela reportagem, o Diretório Nacional do PT não respondeu sobre a doação feita pelo Banco PanAmericano no ano passado até o fechamento desta edição.
A Folha fez contato por e-mail e por telefone com a assessoria do partido, que informou não ter localizado, ontem, João Vaccari Neto, secretário de finanças e de planejamento do PT.
Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress

Fonte Folha http://www1.folha.uol.com.br/poder/1004371-panamericano-usou-franquia-para-fazer-doacao-ao-pt-em-2010.shtml

A ESPERANÇA ONDE ESTÁ?

ÁBADO, 5 DE NOVEMBRO DE 2011

A Esperança: Onde está?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Márcio Accioly

A população brasileira, a quem quase nada se oferece em troca dos extorsivos impostos, precisa ter cuidado com os assaltantes dos cofres públicos, larápios encastelados no Estado, engravatados que vivem a desviar recursos para financiamento de infindáveis prazeres, pois agora querem censurar a internet.

Vocês se lembram do ex-governador de Minas Gerais que foi senador (2003-11), e agora é deputado federal (2011-15) pelo partido de FHC (nosso querido boca de tuba), o PSDB? O nome dele é Eduardo Azeredo, guarde-se o triste na memória. Foi o criador do mensalão em Minas, nunca punido, em companhia do mesmo Marcos Valério.

Sua excelência tem projeto que pretende censurar dados que circulam na rede e já vai arregimentando considerável número de seguidores entre desqualificados morais que povoam o Congresso. O que prova que encontrar cúmplice não é tarefa espinhosa.

Sua excelentíssima, que em qualquer país onde bons costumes prevalecessem já teria sido afastado da representação política (e certamente preso), circula com tremenda cara de pau, confabulando pelos corredores e tentando se safar de crimes cometidos com a promessa de acobertamento generalizado e vantagens indevidas.

O caso da grave doença de Dom Luiz Inácio (PT-SP) teve impacto inicial de solidariedade da população, como seria de esperar, mas começa a reverter por conta de visível exploração que os salafrários resolveram fazer, ao revelar más intenções num país que vai enchendo todas as medidas com tanto roubo e dissimulação.

O próprio ex-presidente é culpado, na formação de tal cenário, pelas mentiras pregadas sobre o sistema de saúde em seus oito anos de gestão (2003-11). Sem contar o apadrinhamento de bandalheiras que estouram em todos os ramos e desvãos, deixando boquiaberto o mais cretino dos ingênuos. O câncer do ex-presidente estimula a censura.

A “oposição”, ah! a “oposição”, de FHC a Aécio Neves (Serra, vez por outra coloca a cabeça de fora, ora elogiando Dilma e Lula, ora falando mal dos dois), reclama agora dos internautas por desejarem que Dom Luiz vá se tratar no SUS, tal qual a maioria sem plano de saúde, mas que paga impostos para o deleite desses pilantras.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), que como se sabe se recusou ao bafômetro no Rio de Janeiro (depois de parado por policiais que tentavam encontrar transgressores embriagados no comando de veículos), tenta se embalar na direção da Presidência. “Nada de soprar aparelho” – disse sua excelência. “Estou aqui e muito vivo!”

Um país que abriga na Presidência do Congresso Nacional figura como José Sarney (PMDB-AP), não tem condições de exigir respeito nem de ativistas de bordel! Os escândalos pipocam, a roubalheira é geral, mas aparências devem ser mantidas. A melhor de todas as saídas é a de censurar a internet.

Não faz muito tempo, os brasileiros estavam reféns de jornais mancomunados com grupos políticos, os quais “editavam” notícias, determinando o que poderia ser visto ou não. Com o advento da rede mundial de computadores, toma-se conhecimento do posicionamento de todos os lados, pois cada qual vai apontando os podres do outro.

Censurar a internet é coisa de Eduardo Azeredo, mas pode ser que a moda pegue. É preciso gritar, espernear, lutar contra essa tentativa de amordaçamento de um povo, patrocinada por amorais que estão dominando instâncias públicas e buscam se eternizar no poder a bordo de patifarias. O jeito é mandar e-mail para os deputados.

O Brasil precisa acordar e exigir respeito dessa canalha imunda. Dizer “Não” à votação em lista, “Não” à censura que a escumalha pretende legalizar de forma sorrateira, “Não” aos assaltos dos janotas despreparados. Não é possível que se observe tanta desordem e se permaneça calado e submisso. Somos governados por ladrões!

Márcio Accioly é Jornalista.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

TRAIPU-AL É AQUI

http://youtu.be/jNA8BBYyvk4

TRAIPU-AL É AQUI

Grande Parte do Dinheiro Público desviado, que deveria ser aplicado em serviços essenciais como Educação, Saúde, Saneamento, Moradia, Segurança E TANTOS OUROS, não reside APENAS na esfera federal. Prefeituras de Pequenas e Médias Cidades brasileiras não fazem a SUA Parte, não contribuem para o avanço do IDH por causa da CORRUPÇÃO. Traipu, no lindo Estado de Alagoas, PODE SER AQUI, ALI E ACOLÁ!.

Falhas nos órgãos de fiscalização e controle das contas públicas, principalmente e a baixa escolaridade do eleitorado, contribuem decisivamente para mergulhar uma CIDADE NO CONTO DO VIGÁRIO!

domingo, 6 de novembro de 2011

A FÁBULA DO PAÍS DO ÁLCOOL E A GASOLINA...

A fábula do país do álcool e da gasolina




Célio Pezza*

Era uma vez um país que disse ter conquistado a independência energética com o uso do álcool feito a partir da cana de açúcar. Seu presidente falou ao mundo todo sobre a sua conquista e foi muito aplaudido por todos. Na época, esse país lendário começou a exportar álcool até para outros países mais desenvolvidos. Alguns anos se passaram e esse mesmo país assombrou novamente o mundo quando anunciou que tinha tanto petróleo que seria um dos maiores produtores do mundo e seu futuro como exportador estava garantido.

A cada discurso de seu presidente, os aplausos eram tantos que confundiram a capacidade de pensar de seu povo. O tempo foi passando e o mundo colocou algumas barreiras para evitar que o grande produtor invadisse seu mercado. Ao mesmo tempo adotaram uma política de comprar as usinas do lendário país, para serem os donos do negócio. Em 2011, o fabuloso país grande produtor de combustíveis, apesar dos alardes publicitários e dos discursos inflamados de seus governantes, começou a importar álcool e gasolina.

Primeiro, começou com o álcool, e já importou mais de 400 milhões de litros e deve trazer de fora neste ano um recorde de 1,5 bilhão de litros, segundo o presidente de sua maior empresa do setor, chamada Petrobras Biocombustíveis. Como o álcool do exterior é inferior, um órgão chamado ANP (Agência Nacional do Petróleo) mudou a especificação do álcool, aumentando de 0,4% para 1,0% a quantidade da água, para permitir a importação. Ao mesmo tempo, esse país exporta o álcool de boa qualidade a um preço mais baixo, para honrar contratos firmados.

Como o álcool começou a ser matéria rara, foi mudada a quantidade de álcool adicionada na gasolina, de 25% para 20%, o que fez com que a grande empresa produtora de gasolina desse país precisasse importar gasolina, para não faltar no mercado interno. Da mesma forma, ela exporta gasolina mais barata e compra mais cara, por força de contratos.

A fábula conta ainda que grandes empresas estrangeiras, como a BP (British Petroleum), compraram no último ano várias grandes usinas produtoras de álcool nesse país imaginário, como a Companhia Nacional de Álcool e Açúcar, e já são donas de 25% do setor. A verdade é que hoje, esse país exótico exporta o álcool e a gasolina a preços baixos, importa a preços altos um produto inferior, e seu povo paga por esses produtos um dos mais altos preços do mundo. Infelizmente, esta fábula é real, e o país onde essas coisas irreais acontecem chama-se Brasil.

*Escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, e o seu mais recente A Palavra Perdida. Saiba mais em www.celiopezza.com

domingo, 30 de outubro de 2011

BRASIL: O PODER, O HOMEM E A CORRUPÇÃO

"Reflexão política. Brasil: o poder, o homem e a corrupção"

Platão e a Ciência Política "Ele foi o primeiro e talvez o último (ser), a sustentar que o estado deve ser governado não pelos mais ricos, os mais ambiciosos ou os mais astutos, mas pelos mais sábios." Percy Shelley




Platão e a Ciência Política "Ele foi o primeiro e talvez o último (ser), a sustentar que o estado deve ser governado não pelos mais ricos, os mais ambiciosos ou os mais astutos, mas pelos mais sábios." Percy Shelley - Foto: Internet
Amigos leitores,

A maioria das vezes o homem não sabe lidar com o poder.

Falemos de duas hipóteses.

Se tem fortes Princípios, jamais os usará a seu favor – ou ao dos seus – sejam parentes, amigos ou/e correligionários.

Se tais ’Princípios’, no entanto, são tíbios e ainda incipientes, não estratificados- mas tem a criatura boa índole, possivelmente iniciar-se-á uma luta íntima quando a ganância sobrepuser-se à Ética. Aquela será, neste caso, colocada na balança e sairá vencedora. Os referidos Princípios?... Esquecidos, pois lhe convém. Está a tecer politicamente futuros cargos, para alçar vôos mais altos. Vende mesmo sua alma ao diabo.
Temos exemplos de políticos assim. Perpetuados, encastelados no poder, como se fossem existir 'ad aeternitatem'.

Um aspecto triste deste agir é que, mesmo ’poderosa’, transforma-se a criatura apenas na sombra de quem e do quê poderia ter sido como Ser Humano. Cai do alto de sua torre de barro (jamais de marfim...) e esfacela-se, não lhe sendo mais possível recompor-se frente a si mesmo. A propósito, lembro-me de ensinamento de Platão, que transcrevo com adaptação minha e peço-lhes entendam como metáfora inversa: “Vivemos no mundo do irreal onde tudo o que vemos é somente uma sombra imperfeita de uma realidade mais perfeita”

Por outro lado, em se tratando do primeiro caso referido, ie: em sendo dotado de sólidos Princípios, pode ainda a criatura pública ficar cega por tudo o que o Poder lhe concede e é levada a atuar também com despotismo e arrogância, pensando que a tudo e a todos pode ’comprar’, de uma ou outra forma...
Que está acima da lei... Quanto engano...

Lamentável é constatar-se que isso ocorre principalmente aos seres públicos nos países de origem latina. Nos países anglo saxões e mesmo em alguns do Extremo Oriente (cito como exemplo positivo o Japão), se acontecem distorções de caráter e o conseqüente comportamento indevido com a coisa pública (res publica), o agente excusa-se publicamente mostrando arrependimento. Alguns mesmo, por demais envergonhados , chegam ao suicídio.
No momento, o que mais me interessa diretamente são os políticos (politiqueiros?)(*) em nosso país, no qual o número de escândalos se sucede e mesmo multiplicam de forma assustadoramente surreal.

Deixam os cargos ainda com honras, pompas e glórias. Afirmam uma inocência que se contrapõe frontalmente aos seus atos, aos fortes indícios e às provas existentes...
Sem estudos quaisquer que sejam de fisiognomonia ou conhecimentos maiores da linguagem corporal, o observador mais atento verifica que estão a faltar com a verdade.

Quanto ao poder central, tristemente, só afasta os acusados após a mídia noticiar. E, para o cúmulo do despautério, ainda agradece os (sic) excelentes serviços prestados ao país.

No entanto, para eles, a lei da gravidade inexiste, pois 'caem para cima'.

Nem tão espantosamente, a maioria das vezes, voltam a ser chamados a ocupar outros cargos no governo, em descompasso e desobediência à própria Constituição Federal.

Tampouco se ouviu falar de que foram devolvidas às burras do Estado as vultosas somas que delas foi retirada de uma ou outra forma.

Assim tem sido com TODOS os afastados forçosamente por corrupção. Não irei nomeá-los, pois não se faz necessário

Enquanto isso, muitos cidadãos honrados seguem morrendo em filas de hospitais, outros sofrem os horrores de verdadeiro holocausto, pois são ínfimos e míseros os valores percebidos como aposentadorias e pensões...
Morrem lenta e dolorosamente- e governo algum jamais veio a público pedir-lhes perdão e restaurar-lhes os direitos.(**)

Lembro, por oportuno: é questão suprapartidária. É assunto – este sim – não só de interesse nacional como da própria sobrevivência da democracia.


(*)Ressalvo aqui pouquíssimos políticos.Tampouco necessitam de nomeada. A mídia mostra-nos a todos, diuturnamente, sempre em ações positivas, a cumprir com os deveres de seus cargos representativos.

(**) Presidenta Dilma: antes que mais inocentes morram, ainda dá tempo. Espero em Deus. Seu antecessor nada fez por essa classe tão vilipendiada. Faça-o Vossa Excelência.

Mirna Cavalcanti de Albuquerque

Rio de Janeiro, 26 de Outubro de 2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

PADROEIRO DOS PECADORES....

"Padroeiro dos pecadores, chefe dos mensaleiros, doutor em absolvição..."

O padroeiro dos pecadores, o chefe dos mensaleiros e o doutor em absolvição de culpados querem uma toga de confiança

Por Augusto Nunes - Veja Online

Despejado da Casa Civil que aviltou, expulso de uma Câmara dos Deputados que absolve até Jaqueline Roriz, duas vezes denunciado pela Procuradoria Geral da República por chefiar o bando envolvido na roubalheira do mensalão, José Dirceu aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal por formação de quadrilha e corrupção ativa. Se as instituições fossem mais musculosas, o atropelador compulsivo de códigos legais, valores morais e normas éticas estaria usando a voz exclusivamente para explicar-se em delegacias e tribunais. Como a idade política do Brasil recuou para perto do tempo das cavernas, Dirceu dá palpite em tudo. Sente-se tão à vontade que, sempre mirando nos próprios interesses, deu de socorrer colegas de bandidagens fantasiado de defensor do Estado de Direito. Haja cinismo.

“Considero corretíssima a posição da presidenta Dilma e de seu governo de não fazer pré-julgamento, linchamento, e respeitar rigorosamente a presunção da inocência do ministro Orlando Silva e que o ônus da prova é de responsabilidade exclusiva do acusador”, voltou a torturar a língua portuguesa nesta terça-feira. “Se não nos mantivermos nessa linha, estaremos quebrando os princípios mais elementares de um Estado Democrático de Direito”. De costas para a perplexidade da plateia, o canastrão caprichou na pose de inocente e foi em frente: “Infelizmente, existe no país uma corrente muito grande, particularmente na mídia, que tem insistido nesse caminho do pré-julgamento, do linchamento… Eu sou uma vítima e exemplo claro disso”. Haja estômago.

O Estado Democrático de Direito e José Dirceu não nasceram um para o outro, berra o prontuário do declarante. Um celebra a liberdade irrestrita de imprensa. Outro sonha com o “controle social da mídia”. Um se subordina ao império da lei. Outro sonha com a condenação à perpétua impunidade. O Estado de Direito estabelece a separação e a independência dos Poderes. O guerrilheiro de festim, no momento, manobra para instalar uma toga de confiança na vaga aberta no Supremo Tribunal Federal com a aposentadoria da ministra Ellen Gracie. Foi esse, por sinal, o tema da reunião que no fim de setembro juntou em Paris os companheiros José Dirceu, Márcio Thomaz Bastos e Lula.

O encontro da trindade nada santa teria sido secreto se Dirceu não fosse uma usina de ideias de jerico: 43 anos depois de ter inventado o congresso clandestino com esconderijo conhecido, nosso Steve Jobs de chanchada resolveu inventar a conversa sigilosa agendada em público. O primeiro espanto ocorreu em outubro de 1968, quando juntou num sítio em Ibiúna, com menos de 10 mil habitantes, os mais de 1.200 participantes do congresso a UNE. Foram todos parar na cadeia. O segundo assombro consumou-se no meio da tarde de 27 de setembro, quando o padroeiro dos pecadores, o chefe dos mensaleiros e o doutor em absolvição de culpados se reuniram num apartamento do Hotel Lutetia. A trinca só não foi parar nas primeiras páginas porque os jornalistas andam meio distraídos.

A quebra de sigilo ocorreu na noite de 22 de setembro, durante uma palestra de Dirceu no auditório da Força Sindical, em São Paulo. Ao sentir a vibração do celular, o artista interrompeu o monólogo, identificou no visor a origem da chamada, abriu um sorriso de notícia boa, comunicou à plateia que a coisa era urgente, levantou-se da mesa e desapareceu nas coxias. Reapareceu quatro minutos depois ainda mais risonho e, antes de retomar o palavrório, resolveu matar de inveja os espectadores:

„Ÿ É que eu estou acertando a agenda com o nosso Luiz Inácio Lula da Silva „Ÿ gabou-se. „Ÿ Ele está viajando, está indo para a Europa, e eu vou encontrar com ele.

Sem saber da inconfidência, Lula decolou na noite seguinte, fez uma escala nos Estados Unidos e, em 25 de setembro, instalou-se no cenário da conversa que deveria ser sigilosa. A ideia do encontro na França nasceu quando o Instituto de Estudos Políticos marcou para 27 de setembro a cerimônia de entrega do título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente. Como o julgamento do mensalão vem aí, os três acharam que deveriam tratar com urgência do preenchimento da vaga no STF. Ficou combinado que os ex-ministros viajariam para França „Ÿ em datas diferentes e por distintos motivos, para não dar na vista. Horas antes da festa, iriam ao encontro do chefe no hotel onde ficaria quatro dias hospedado.

Em 16 de setembro, depois de avisar no escritório que precisava descansar, o jurista que advoga até quando dorme embarcou com a mulher, num avião de carreira, “para duas semanas de férias”. O casal ficou alojado no Hotel George Sand (modestíssimo, se comparado ao Lutetia, que cobra diárias de até R$ 12 mil). Dirceu, que só lida com processos como réu, disse aos amigos que decolaria rumo a Paris “por causa de alguns compromissos como advogado”. Negou-se a revelar os nomes dos clientes e do hotel em que dormiria. Também não esclareceu se voaria em avião de carreira ou em jatinho fretado. Só conta que voltou ao Brasil no dia 28, quando Lula seguiu para a Polônia.

Durante a festa de doutorado, os três fingiram que era o primeiro encontro em Paris. Esqueceram de combinar com um jornalista que, à tarde, viu Márcio e Dirceu chegando ao Lutetia com a discrição de um espião paraguaio. Durante a conversa, Dirceu procurou convencer os parceiros de que a melhor candidata à toga momentaneamente sem dona é Maria Elizabeth Rocha, ministra do Superior Tribunal Militar. Amiga do ministro José Antonio Dias Toffoli, ex-advogado do PT e ex-chefe da Advocacia Geral da União, Maria Elizabeth trabalhou entre 2003 e 2007 na subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil.

Antes de ser indicada por Lula para o STM, portanto, passou cinco anos subordinada a José Dirceu e, depois, a Dilma Rousseff. Estava na Casa Civil quando explodiu o escândalo do mensalão. Essa anotação no currículo coloca sob suspeição a eventual julgadora de um caso cujo desfecho pode tirar o sossego de Dilma e o sono de Dirceu. A trinca da reunião em Paris luta para impedir que se faça justiça. Se Ellen Gracie for substituída pela candidata preferida dos mensaleiros, os conspiradores trapalhões terão conseguido desmoralizar de vez o Supremo Tribunal Federal.

Postado sexta-feira, 28 de outubro de 2011

VERDADE OU MENTIRA?

VERDADE OU MENTIRA.



O líder do PSDB no Senado Federal, Alvaro Dias (PR), está apreensivo no sentido de que a Comissão da Verdade esteja no caminho certo, sem nenhum desvio de função. “Não há como ficar contra a comissão da verdade. O que nós temos que verificar depois é se ela vai se transformar depois na comissão da mentira. Se isso ocorrer teremos que denunciar. E isso já se dá no momento de indicar os nomes. Espera-se que os nomes sejam insuspeitos. Afinal, o que se deseja é escrever capítulos da história brasileira com verdade e não com mentira”, enfatiza.

O governo terá de garimpar nomes para compor a comissão. Na opinião de Dias haverá dificuldades. “Não será fácil convencer a todos nós de que há boa intenção na composição. Obviamente, é um risco que o governo vai correr. Ao indicar ser questionado pela indicação. Mas esse é ponto crucial. Em tese nós não podemos ser contra aquilo que se chama Comissão da Verdade. Se é Comissão da Verdade tem o nosso apoio. Nós não podemos compactuar se ela se transformar numa comissão da mentira”, disse Dias.

Para o senador do PSDB, não há o que questionar quanto ao texto. “Temos que prestar atenção é no comportamento, depois, na execução dessa proposta”, destacou. Ele acredita que a oposição tem que se manter na posição de fiscal dos atos. “Seria um risco a oposição compactuar indicando qualquer nome”, destaca.

Questionado sobre se parte do princípio de que há uma só verdade, no embate com o governo, o senador resumiu a questão filosófica. “A verdade deve ser uma só. A verdade é aquela que espelha a realidade dos fatos. É uma situação tão complexa que se fosse presidente da República não trataria desse assunto. Isso pode ser um tiro no pé do governo.”

Votação da Emenda 29 em 2012

A estratégia do governo em empurrar para o ano que vem a votação da Emenda 29 é “malandra”, segundo Álvaro Dias. A passagem da votação no Senado deve ser feita com a maior urgência possível. “O Senado aprovou aqui rapidamente, a regulamentação da Emenda 29, que dormiu nas gavetas da Câmara dos Deputados por desejo do poder Executivo. Na volta nós não podemos fazer com que ela durma mais alguns meses ou anos nas gavetas do Senado. Nós precisamos aprovar rapidamente a regulamentação da Emenda 29.”

O senador foi perguntado se a situação caótica na saúde, com perda de vidas, seria passível de provocar uma ação contra o governo por crime de responsabilidade. “Não há dúvida que há crime de responsabilidade sim. Na medida em que a impunidade prevalece, os desvios ocorrem. O Tribunal de contas denuncia desvio de R$ 2,3 bilhões na área de saúde pública. Há corpos amontoados em corredores de hospitais no Brasil. Há gente em filas enormes, pessoas morrendo desassistidas e evidentemente trata-se sim de crime de responsabilidade de quem aplica mal os recursos e permite desvios e é incompetente na forma de gerenciar”, finaliza

Fonte: Ucho.Info

SAI PRÁ LÁ COISA RUIM!...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

SAI PRA LÁ, COISA RUIM...



Em uma de suas viagens, no jatinho de "um laranja", o qual é dono de uma faculdade maranhense, Sarney, com o seu pijama de seda, fazia a leitura diária de seu Maquiavel em um aposento privativo do avião.
No mesmo vôo, vinha sua assessoria e os puxa-sacos. Em dado momento eis que aparece o diabo e disse que o jato iria cair e todos morreriam e começou a fazer o avião balançar muito. Apavorados, os assessores foram até a cabine onde se encontrava o tranqüilo chefe e contaram o que estava acontecendo.
Zangado, o Senador saiu do cômodo e foi ter com o diabo e perguntou:
- Você sabe quem sou eu?
O Diabo: - Sim, o Sarney!
Sarney: - Você sabe quem mandou prender o Zé Rinaldo Tavares usando seu prestigio junto à Justiça e à PF para satisfazer os caprichos de minha mimada filha?
O Diabo: - Com certeza foi tú.
Sarney: - Você sabe quem manda no Amapá e até no desafeto Capiberibe?
O Diabo: - É o senhor.
Sarney: - Você sabe quem não deixou o Governador eleito do Estado do Maranhão trabalhar, e fez de tudo até tirá-lo do cargo no tapetão e colocar sua filha?
O Diabo: - O senhor é fogo..., não há dúvida que é o senhor!
Sarney: - Você sabe quem manda na Dilma, Lula e em centena de petistas?
O Diabo: - O senhor, é claro!
Sarney: - Você sabe quem mandou durante quarenta anos no Maranhão, transformando- o no Estado mais pobre e que tem o menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, construiu também um mausoléu num lugar que era do Estado só pra satisfazer seu ego?
O Diabo: - É demais! Foi Vossa Excelência!
Sarney: - Sabe quem dá as cartas na Eletronorte, BNDES, Ministério das Comunicações, Correios, Petrobrás e tem grandes influências em quase todos os Ministérios e na Câmara dos Deputados.?
O Diabo: - Não tenho dúvidas que é Vossa Excelência.
Sarney: - Você sabe quem é sócio de um Banco em Miami, foi sócio do ex-Banco Santos, é sócio de uma indústria de automóveis na Índia, sócio de um grande hospital, de um shopping e de dois prédios na avenida mais movimentada de São Luís, além de possuir vários quadros famosos e livros raros em uma ilha?
O Diabo: - Isso nem eu sei dizer de quem é, mas na dúvida..., acho que é do Senador.
Sarney: - Sabe quem Ricardo Murad chama de "painho" e toma a benção todo dia por telefone antes de sair de casa?
O Diabo: - Francamente. ...., é o senhor, Presidente!
Sarney: - Falando em Presidente, você sabia que agora voltei a ser Presidente do Senado só para abafar uma investigação da PF e tirar o Tarso Genro, tudo para mostrar à Dilma quem manda?
O Diabo: - Vossa Senhoria é pior que eu !
Sarney: - Sabe quem possui o maior império de comunicação do Brasil para manipular pessoas em um Estado que tem um dos maiores índices de analfabetismo do país?
O Diabo: - Cruz credo! És tu Pai.
Sarney: - Sabes quem é meu genro?
O Diabo: - Vou enfartar...
Sarney: - Se liga! Se eu morrer, com certeza, vou para o inferno, e sabe quem vai mandar por lá?
O Diabo: - Sai pra lá, coisa ruim!
Neste exato instante o diabo escafedeu-se e o avião parou de balançar e tudo ficou como antes...

O HOMEM PODE NÃO TER FALADO - AINDA - COM O DIABO, MAS O RESTO É TUDO VERíDICO !!!!!